sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Os Sexalescentes



Se estivermos atentos, podemos notar que está a aparecer uma nova franja social: a das pessoas que andam à volta dos sessenta anos de idade, os sexalescentes: é a geração que rejeita a palavra "sexagenário", porque simplesmente não está nos seus planos deixar-se envelhecer.

Trata-se de uma verdadeira novidade demográfica - parecida com a que, em meados do século XX, se deu com a consciência da idade da adolescência, que deu identidade a uma massa de jovens oprimidos em corpos desenvolvidos, que até então não sabiam onde meter-se nem como vestir-se.


Este novo grupo humano que hoje ronda os sessenta  ou mais, teve uma vida razoavelmente satisfatória.

São homens e mulheres independentes que trabalham há muitos anos e que conseguiram mudar o significado tétrico que tantos autores deram durante décadas ao conceito de trabalho. Que procuraram e encontraram há muito a actividade de que mais gostavam e que com ela ganharam a vida.


Talvez seja por isso que se sentem realizados... Alguns nem sonham em reformar-se. E os que já se reformaram gozam plenamente cada dia sem medo do ócio ou da solidão, crescem por dentro quer num, quer na outra. Disfrutam a situação, porque depois de anos de trabalho, criação dos filhos, preocupações, falhanços e sucessos, sabe bem olhar para o mar sem pensar em mais nada, ou seguir o voo de um pássaro da janela de um 5.º andar...


Neste universo de pessoas saudáveis, curiosas e activas, a mulher tem um papel destacado. Traz décadas de experiência de fazer a sua vontade, quando as suas mães só podiam obedecer, e de ocupar lugares na sociedade que as suas mães nem tinham sonhado ocupar.


Esta mulher sexalescente sobreviveu à bebedeira de poder que lhe deu o feminismo dos anos 60. Naqueles momentos da sua juventude em que eram tantas as mudanças, parou e reflectiu sobre o que na realidade queria.


Algumas optaram por viver sozinhas, outras fizeram carreiras que sempre tinham sido exclusivamente para homens, outras escolheram ter filhos, outras não, foram jornalistas, atletas, juízas, médicas, diplomatas... Mas cada uma fez o que quis : reconheçamos que não foi fácil, e no entanto continuam a fazê-lo todos os dias.


Algumas coisas podem dar-se por adquiridas.

Por exemplo, não são pessoas que estejam paradas no tempo: a geração dos "sessenta", homens e mulheres, lida com o computador como se o tivesse feito toda a vida. Escrevem aos filhos que estão longe (e vêem-se), e até se esquecem do velho telefone para contactar os amigos - mandam e-mails com as suas notícias, ideias e vivências.


De uma maneira geral estão satisfeitos com o seu estado civil e quando não estão, não se conformam e procuram mudá-lo. Raramente se desfazem em prantos sentimentais.


Ao contrário dos jovens, os sexalescentes conhecem e pesam todos os riscos.
Ninguém se põe a chorar quando perde: apenas reflecte, toma nota, e parte para outra...


Os maiores partilham a devoção pela juventude e as suas formas superlativas, quase insolentes de beleza ; mas não se sentem em retirada. Competem de outra forma, cultivam o seu próprio estilo... Os homens não invejam a aparência das jovens estrelas do desporto, ou dos que ostentam um fato Armani, nem as mulheres sonham em ter as formas perfeitas de um modelo. Em vez disso, conhecem a importância de um olhar cúmplice, de uma frase inteligente ou de um sorriso iluminado pela experiência.


Hoje, as pessoas na década dos sessenta, como tem sido seu costume ao longo da sua vida, estão a estrear uma idade que não tem nome. Antes seriam velhos e agora já não o são. Hoje estão de boa saúde, física e mental, recordam a juventude mas sem nostalgias parvas, porque a juventude ela própria também está cheia de nostalgias e de problemas.
Celebram o sol em cada manhã e sorriem para si próprios...


Talvez por alguma secreta razão que só sabem e saberão os que chegam aos 60 no século XXI ...

Corpo de Dor


Walter Leistikow, Waldsee in Winter (1892, State Museum, Berlin).

Algumas situações negativas pelas quais passamos ao longo da nossa vida afectam quer o nosso corpo, quer a nossa mente, gerando emoções nada agradáveis como, por exemplo, o medo, a raiva, a tristeza ou a culpa. Naturalmente que, à medida que o tempo vai passando, também a emoção vai diminuindo de intensidade, sendo o corolário desejável, que ela desapareça totalmente. No entanto, por vezes guardamos dentro de nós um resto de emoção que não se dissolveu completamente e que vai deixando as suas sequelas pelo caminho.

Como podemos saber se guardámos dentro de nós um resto emocional e, em caso afirmativo, como podemos observá-lo?

Inicialmente basta que nos lembremos da situação que ocorreu e que esteve na base dessa emoção. Se ainda sentirmos algum desconforto, por menor que seja, podemos estar certos de que uma parte da emoção então gerada ainda existe em nós.

Ao mantermos no nosso inconsciente este resto emocional que referimos atrás, permitimos que, por estar latente, ele seja activado, com maior intensidade, logo que uma nova situação semelhante se coloque, o que irá amplificar o sofrimento do sujeito. É também possível que, ao invés desta intensificação emocional, a pessoa crie medo de sofrer de novo e, provocando uma descida na sua auto-estima, iniba certos comportamentos.

Ao permanecer dentro de nós, a energia dessa emoção irá ser activada, na grande maioria das vezes sem nos darmos conta, influenciando os nossos pensamentos e as nossas acções. É como se essa emoção adquirisse vida própria, capaz de criar mecanismos de sobrevivência, usando-nos para se alimentar. Ocorrendo à nossa memória, sendo reproduzida nas nossas conversas, essa emoção acaba por se permitir um desenvolvimento indefinido.

Acabamos por não ter uma só situação em que uma emoção não foi dissolvida na sua totalidade, para passarmos a ter um sem número delas, umas mais outras menos intensas. E cada emoção vai funcionar como uma pequena entidade autónoma, que vai influenciar as nossas acções negativamente.

Somando todas essas energias não dissolvidas, teremos uma grande entidade formada por emoções negativas. Eckhart Tolle, no seu livro "Um novo mundo, o despertar de uma Nova Consciência" chama de corpo de dor a este conjunto de energias não dissolvidas que formam uma grande entidade de emoções negativas.

O corpo de dor, uma vez que não temos consciência dele, acaba por ir crescendo dentro de nós, dominando-nos e usando-nos para se poder desenvolver. No momento em que começamos a identificar a sua actuação, começa a ser possível a nossa libertação e o início do fim do sofrimento.

O corpo de dor necessita de escuridão para se alimentar. Quando começamos a identificá-lo, a tomar conhecimento dos processos que utiliza, é como se o trouxéssemos para a luz e começássemos a impedi-lo de actuar. Começamos a entender que se trata apenas de uma energia de sofrimento que se encontra dentro de nós, mas que não faz parte da nossa essência. Deixar de o alimentar permitir-nos-á sermos mais felizes.

É muito importante elencar os eventos passados que nos causam desconforto, que nos incomodam, a fim de podermos, paciente e persistentemente, ir dissolvendo essa energia, enfraquecendo o corpo de dor e começando a aumentar a nossa paz e a nossa felicidade.

By Manuela Palmeirim
in 3.Fev.2012

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Para aumentar o nosso bem-estar





Para aumentar o nosso bem-estar

1.      Caminhar todos os dia e sorrir enquanto caminhamos
2.      Orar na intimidade, pelo menos 10 minutos por dia
3.      Ouvir música todos os dias
4.      Agradecer cada dia, ao acordar
5.      Viver com os 3 “E”s – Energia – Entusiasmo – Empatia
6.      Olhar para o céu, pelo menos uma vez por dia, e sentir a grandiosidade do mundo que nos rodeia
7.      Comer mais alimentos naturais
8.      Eliminar a desordem que existe em casa, no escritório ou no carro e permitir que a energia flua na nossa vida
9.      Investir a energia no presente e em tudo que é positivo
10.  Tomar o pequeno almoço como um rei, o almoço como um príncipe e o jantar como um mendigo
11.  Sorrir mais
12.  Abraçar aqueles que amamos
13.  Cultivar o contacto com os nossos amigos
14.  Amar sempre com todo o nosso Ser
15.  Antes de adormecer, agradecer mais um dia vivido

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Quer ser mais feliz?





1.     Caminhe de 10 a 30 minutos todos os dias e  sorria enquanto caminha.
2.     Ore na intimidade com Deus pelo menos 10 minutos por dia, em segredo, se for necessário.
3.     Escute boa música todos os dias. A música é um autêntico alimento para o espírito.
4.     Ao levantar-se de manhã, agradeça a Deus o novo dia.
5.     Viva com os 3 "Es": Energia, Entusiasmo e Empatia.
6.     Participe de mais brincadeiras do que no ano passado.
7.     Sorria mais vezes do que o ano passado.
8.     Olhe para o céu pelo menos uma vez por dia e sinta a majestade do mundo que o rodeia.
9.     Sonhe mais, estando acordado.
10.    Coma mais alimentos que crescem nas árvores e nas plantas, e menos alimentos industrializados.
11.    Coma nozes e frutas silvestres. Tome chá verde, muita água e um cálice de vinho ao dia. Cuide de brindar sempre por alguma das muitas coisas belas que existem na sua vida e, se possível, faça em companhia de quem você ama.
12.    Faça rir pelo menos 3 pessoas por dia.
13.    Elimine a desordem da sua casa, do seu carro e do seu escritório. Deixe que uma nova energia flua em sua vida.
14.    Não gaste o seu precioso tempo em fofocas, coisas do passado, pensamentos negativos ou coisas fora de seu controlo. É melhor investir a sua energia no positivo do presente.
15.   Tome nota: a vida é uma escola e você está aqui para aprender. Os problemas são lições passageiras, o que você aprende com eles é o que fica.
16.   Tome o café da manhã como um rei, almoce como um príncipe e jante como um mendigo.
17.   Sorria mais.
18.   Não deixe passar a oportunidade de abraçar quem você ama. Um abraço!
19.   A vida é muito curta para você desperdiçar o tempo odiando alguém.
20.   Não se leve tão a sério. Ninguém faz isso.
21.   Não precisa ganhar cada discussão. Aceite a perda e aprenda com o outro
22.   Fique em paz com o seu passado para não estragar o seu presente.
23.   Não compare sua vida com a dos outros. Você não sabe como foi o caminho que eles tiveram que trilhar na vida.
24.   Ninguém toma conta da sua felicidade a não ser você mesmo.
25.   Lembre-se de que você não tem o controlo dos acontecimentos, mas sim do que faz deles.
26.   Aprenda algo novo cada dia.
27.   Ajude sempre os outros. O que você semeia hoje, colherá amanhã
28.   Não importa se a situação é boa ou ruim, ela mudará.
29.   O seu trabalho não cuidará de você quando você estiver doente. Seus amigos sim. Mantenha contacto com os seus amigos.
30.   A inveja é uma perda de tempo. Você já tem o que precisa.
31.   O melhor está ainda por vir.
32.   Ame sempre com todo o seu ser.
33.   Telefone para os seus familiares frequentemente e mande emails dizendo: Olá, estou com saudades vossas!
34.   Ao deitar, agradeça a Deus por mais um dia vivido.
35.    Desfrute da viagem da vida. Tire dela o maior proveito!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Um Mundo Novo




Todos os preparativos para destruir o mundo só vão destruir o velho homem e o velho mundo. Eles vão criar a necessidade básica para o nascimento de um novo homem - Posso vê-lo no horizonte já. Ele chegou, vai apenas levar algum tempo para que as pessoas possam reconhecê-lo".
Osho, O Futuro Dourado.

Já estamos a caminhar a passos largos para um novo mundo, a reunir energia para que a mudança aconteça. 
É natural ao ser humano o desejo de uma vida de paz, amor, felicidade e abundância, em detrimento de um individualismo e de um egoísmo exacerbados com que nos defrontamos ainda com alguma frequência.

Cada vez mais a consciência da nossa responsabilidade como espécie e o desejo de construir uma realidade diferente têm vindo a despertar. E será fortalecendo esta corrente que iremos alcançar um estado de consciência que nos manterá em sintonia com o divino em nós.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Prosperidade para 2012





Vou falar de uma prática muito simples que é um poderoso gerador de prosperidade. Talvez você já conheça mas é preciso sempre relembrar. As coisas mais simples e óbvias normalmente são as que dão mais resultado e ao mesmo tempo são as coisas que mais deixamos de praticar. Mas primeiro vou falar sobre algo negativo que devemos reconhecer e abandonar.

Existe um hábito muito comum, enraizado no inconsciente colectivo, que a maioria das pessoas costuma praticar bastante - é o hábito de reclamar: do governo, da chuva, da falta de tempo, do marido, da mulher, dos filhos, do trabalho, do chefe, da comida, do engarrafamento, das contas, do próprio corpo, do barulho, do salário, da idade, de algo que quebrou, da incompetência de alguém, de alguma coisa que saiu fora do planeado, da fila, dos preços, dos políticos, do calor, da justiça, dos buracos na rua, da velocidade da internet, dos vizinhos, do semáforo que fechou, dos defeitos dos outros, da sogra, do País, dos mosquitos, do professor, do atendimento em algum lugar, da demora do autocarro, da falta de vaga pra estacionar, do sucesso dos outros, da falta do próprio sucesso, de não conseguir mudar, do computador, da violência, da televisão, da época actual, de uma injustiça sofrida, etc, etc, etc. Esta lista poderia encher muitas páginas.

Que tipo de sentimento surge quando começamos a reclamar? Certamente algo desconfortável. Mesmo assim sentimos um impulso em reclamar. É como um vício que, por um lado causa desconforto mas que, por outro, causa sensação de prazer. Talvez um prazer mórbido. A cada vez que reclamamos de algo, o vício fortalece-se, assim como o sentimento negativo que lhe serve de pano de fundo.

É um dos mecanismos mais comuns que o ego utiliza para gerar negatividade e  fortalecer-se. Do ponto de vista prático, é raro que algo ou alguém mude pelo facto de reclamarmos, mas mesmo assim continuamos.

Um esclarecimento: apontar alguma coisa que não saiu conforme deveria não é necessariamente reclamar. Se, num restaurante, nos trouxerem a comida fria, é lçegítimo reclamar. Temos duas alternativas:

falar em paz, apenas como uma observação

ou

com sentimento de irritação, que é o que está por trás de toda reclamação.

Quanto mais reclamamos, mais a nossa mente encontra novas situações para protestar. A mente tem um mecanismo de filtrar e prestar atenção aquilo que achamos importante. Quando uma mulher está grávida ou apenas a querer engravidar, ela verá muitas grávidas. Muito mais do que via antes. Quando pensamos em trocar de carro e adquirir um determinado modelo teremos uma grande tendência em ver com muito mais frequência esse tal modelo. O mesmo acontece quando o nosso foco é descortinar coisas negativas.

O reclamador profissional encontrará sempre um defeito que o fará sentir desconfortável. Ele pode até estar num lugar maravilhoso, mas a sua mente foi treinada para ver aquilo que não está em conformidade com suas expectativas. De forma inconsciente, dará mais importância às poucas coisas negativas que encontrou do que à parte boa da experiência, causando mal estar a si mesmo e também aos outros, com seus comentários.

Além disso, pelo que se chama de lei da atracção, ocorrem as chamadas coincidências ou sincronicidades, conforme a qualidade dos nossos sentimentos e pensamentos. A negatividade emocional gerada pelo hábito de reclamar acaba por atrair mais situações negativas. E é assim que muitas pessoas se vão afundando cada vez mais na negatividade sem se aperceberem.

Tomar consciência dessa negatividade é importante. Mas é ainda mais importante dissolvê-la.

Para gerar prosperidade, é aconselhável praticar o hábito inverso ao de reclamar. Ou seja, adoptar o hábito de agradecer e de valorizar tudo de bom que acontece. Ao fazermos isso a nossa mente ficará cada vez mais atenta a situações que nos trazem bem estar e vai deixando de lado o foco no que nos traz desprazer. O nosso estado emocional vai então ficando cada dia melhor. Pela lei da atracção, ao adoptarmos o hábito de agradecer, vamos atrair cada vez mais situações agradáveis.

Tudo isto pode parecer muito simples e óbvio. E é mesmo. Mas não devemos subestimar o poder desta prática por isso.

Para reforçar a prática da gratidão podemos criar uma lista de todas coisas pelas quais somos gratos. Podemos incluir bens materiais, pequenos objectos, pessoas, qualidades nossas, qualidades de outras pessoas, saúde física, a natureza, a respiração, enfim, tudo que quisermos.

Esta lista deve ser grande. No começo pode ser difícil encontrar muitas coisas pelas quais nos sentimos gratos. Isso deve-se ao hábito de reclamar. A mente não foi treinada para encontrar coisas positivas. Mas, com um pouco de prática, ficará cada vez mais fácil. À medida que o tempo passar, encontraremos cada vez mais coisas pelas quais sentimos gratidão, sem esforço algum, de forma natural.

Além de fazermos a lista, é preciso que dediquemos alguns minutos do nosso dia para lê-la, procurando sentir verdadeiramente a gratidão por tudo aquilo. Gerar o sentimento é o que mais importa. É ele quem vai ajudar a atrair cada vez mais prosperidade em todos os sentidos da vida.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A Pequena Alma e o Sol



Era uma vez, em tempo nenhum, uma Pequena Alma que disse a Deus:

- Eu sei quem sou!
E Deus disse: - Que bom! Quem é você?
E a Pequena Alma gritou: - Eu sou Luz
E Deus sorriu. - É isso mesmo! - Exclamou Deus. - Você é Luz!
A Pequena Alma ficou muito contente, porque tinha descoberto aquilo que todas as almas do Reino deveriam descobrir.
- Uauu, isto é mesmo bom! - Disse a Pequena Alma.

Mas, passado pouco tempo, saber quem era já não lhe chegava.

A pequena Alma sentia-se agitada por dentro, e agora queria ser quem era. Então foi falar com Deus (o que não é má idéia para qualquer alma que queira ser Quem Realmente É) e disse:
- Olá Deus! Agora que sei Quem Sou, posso sê-lo?
E Deus disse:
- Quer dizer que quer ser Quem já És?
- Bem, uma coisa é saber Quem Sou, e outra coisa é sê-lo mesmo.
- Quero sentir como é ser a Luz! - respondeu a pequena Alma.
- Mas você já é Luz - repetiu Deus, sorrindo outra vez.
- Sim, mas quero senti-lo! - gritou a Pequena Alma.
- Bem, acho que já era de esperar.
- Você sempre foi aventureira - disse Deus com uma risada.

Depois a sua expressão mudou.
- Só que há uma coisa...
- O quê? - perguntou a Pequena Alma.
- Bem, não há nada para além da Luz. Porque eu não criei nada para além daquilo que você é; por isso, não vai ser fácil experimentar-se como Quem É, porque não há nada que você não seja.
- Hã? - disse a Pequena Alma, que já estava um pouco confusa.
- Pense assim: você é como uma vela ao Sol. Está lá sem dúvida. Você e mais milhões, ziliões de outras velas que constituem o Sol. E o Sol não seria o Sol sem vocês. "Não seria um sol sem uma das suas velas... e isso não seria de todo o Sol, pois não brilharia tanto. E no entanto, como pode conhecer-se como a Luz quando está no meio da Luz - eis a questão".
- Bem, você é Deus. Pense em alguma coisa! - disse a Pequena Alma mais animada.
Deus sorriu novamente.
- Já pensei. Já que não pode se ver como a Luz quando está na Luz, vamos rodeá-la de escuridão - disse Deus.
- O que é a escuridão? perguntou a Pequena Alma.
- É aquilo que você não é - replicou Deus.
- Eu vou ter medo do escuro? - choramingou a Pequena Alma.
- Só se escolher. Na verdade não há nada de que deva ter medo, a não ser que assim o decida. Porque estamos inventando tudo. Estamos fingindo.
- Ah! - disse a Pequena Alma, sentindo-se logo melhor.

Depois Deus explicou que, para se experimentar o que quer que seja, tem de aparecer exatamente o oposto.

- É uma grande dádiva, porque sem ela não poderíamos saber como nada é - disse Deus
- Não poderíamos conhecer o Quente sem o Frio, o Alto sem o Baixo, o Rápido sem o Lento. Não poderíamos conhecer a Esquerda sem a Direita, o Aqui sem o Ali, o Agora sem o Depois. E por isso, - continuou Deus -quando estiver rodeada de escuridão, não levante o punho nem a voz para amaldiçoar a escuridão.
"Seja antes uma Luz na escuridão, e não fique furiosa com ela. Então saberá Quem Realmente É e os outros também o saberão. Deixe que a sua Luz brilhe tanto que todos saibam como você é especial!"
- Então posso deixar que os outros vejam que sou especial? - perguntou a Pequena Alma.
- Claro! - Deus riu. - Claro que pode! Mas lembre-se de que "especial" não quer dizer "melhor"! Todos são especiais, cada qual à sua maneira! Só que muitos esqueceram-se disso. Esses apenas vão ver que podem ser especiais quando você ver que pode ser especial!
- Uau - disse a Pequena Alma, dançando e saltando e rindo e pulando.
- Posso ser tão especial quanto quiser!
- Sim, e pode começar agora mesmo - disse Deus, também dançando, saltando, rindo e pulando juntamente com a Pequena Alma - Que parte de especial é que quer ser?
- Que parte de especial? - repetiu a Pequena Alma. - Não estou entendendo.
- Bem, - explicou Deus - ser a Luz é ser especial e ser especial tem muitas partes. É especial ser bondoso. É especial ser delicado. É especial ser criativo. É especial ser paciente. Conhece alguma outra maneira de ser especial?

A Pequena Alma ficou em silêncio por um momento.

- Conheço imensas maneiras de ser especial! - exclamou a Pequena Alma - É especial ser prestativa. É especial ser generosa. É especial ser simpática. É especial ser atenciosa com os outros.
- Sim! - concordou Deus - E você pode ser todas essas coisas, ou qualquer parte de especial que queira ser, em qualquer momento. É isso que significa ser a Luz.
- Eu sei o que quero ser, eu sei o que quero ser! - falou a Pequena Alma com grande entusiasmo. - Quero ser a parte especial chamada "perdão". Não é ser especial alguém que perdoa?
- Ah, sim, isso é muito especial, assegurou Deus à Pequena Alma.
- Está bem. É isso que eu quero ser. Quero ser alguém que perdoa.
- Quero experimentar-me assim - disse a Pequena Alma.
- Bom, mas há uma coisa que deve saber - disse Deus.
A Pequena Alma já começava a ficar um bocadinho impaciente.
Parecia haver sempre alguma complicação.
- O que é? - suspirou a Pequena Alma.
- Não há ninguém a quem perdoar.
- Ninguém? A Pequena Alma nem queria acreditar no que tinha ouvido.
- Ninguém! - repetiu Deus. Tudo o que Eu fiz é perfeito. Não há uma única alma em toda a Criação menos perfeita do que você.
- Olhe à sua volta!

Foi então que a Pequena Alma reparou na multidão que se tinha aproximado. Outras almas tinham vindo de todos os lados - de todo o Reino - porque tinham ouvido dizer que a Pequena Alma estava tendo uma conversa extraordinária com Deus, e todas queriam ouvir o que eles estavam dizendo.

Olhando para todas as outras almas ali reunidas, a Pequena Alma teve de concordar. Nenhuma parecia menos maravilhosa, ou menos perfeita do que ela. Eram de tal forma maravilhosas e a sua Luz brilhava tanto, que a Pequena Alma mal podia olhar para elas.
- Então, perdoar quem? - perguntou Deus.
- Bem, isto não vai ter graça nenhuma! - resmungou a Pequena Alma
- Eu queria experimentar-me como Aquela que Perdoa. Queria saber como é ser essa parte de especial.
E a Pequena Alma aprendeu o que é sentir-se triste.
Mas, nesse instante, uma Alma Amiga destacou-se da multidão e disse:
- Não se preocupe, Pequena Alma, eu vou ajudar-la - disse a Alma Amiga.
- Vai? - a Pequena Alma animou-se. - Mas o que é que você pode fazer?
- Ora, posso dar-lhe alguém a quem perdoar!
- Pode?
- Claro! - disse a Alma Amiga alegremente.
- Posso entrar na sua próxima vida física e fazer qualquer coisa para você perdoar.
- Mas porquê? Porque é que faria isso? - perguntou a Pequena Alma.
- Você, que é um ser tão absolutamente perfeito! Você, que vibra a uma velocidade tão rápida a ponto de criar uma Luz de tal forma brilhante que mal posso olhar para você! O que é que a levaria a diminuir a sua vibração para uma velocidade tal que tornasse a sua Luz brilhante numa luz escura e embaçada? O que é que levaria você, que dança sobre as estrelas e se move pelo Reino à velocidade do pensamento, a entrar na minha vida e a se tornar tão pesada a ponto de fazer algo de mal?
- É simples - disse a Alma Amiga. - Faço porque te amo.

A Pequena Alma pareceu surpreendida com a resposta.

- Não fique tão espantada - disse a Alma Amiga - você fez o mesmo por mim. Não se lembra? Ah, nós já dançamos juntas, você e eu, muitas vezes. Dançamos ao longo das eternidades e através de todas as épocas. Brincamos juntas através de todo o tempo e em muitos lugares. Só que você não se lembra. Ambas, já fomos o Todo. Fomos o Alto e o Baixo, a Esquerda e a Direita. Fomos o Aqui e o Ali, o Agora e o Depois. Fomos o Masculino e o Feminino, o Bom e o Mau - ambas fomos a vítima e o vilão. Encontramo-nos muitas vezes, você e eu; cada uma trazendo à outra a oportunidade exata e perfeita para Expressar e Experimentar Quem Realmente Somos.

- E assim, - a Alma Amiga explicou mais um bocadinho - eu vou entrar na sua próxima vida física e ser a "má" desta vez. Vou fazer alguma coisa terrível, e então você pode experimentar-se como Aquela Que Perdoa.
- Mas o que é que vai fazer que seja assim tão terrível? - perguntou a Pequena Alma, um pouco nervosa.
- Oh, haveremos de pensar em alguma coisa - respondeu a Alma Amiga, piscando o olho.
Então a Alma Amiga pareceu ficar séria, disse numa voz mais calma:
- Mas tem razão acerca de uma coisa, sabe?
- Sobre o quê? - perguntou a Pequena Alma.
- Eu vou ter de abrandar a minha vibração e tornar-me muito pesada para fazer esta “coisa não muito boa”. Vou ter de fingir ser uma coisa muito diferente de mim. E por isso, só te peço um favor em troca.

- Oh, qualquer coisa, o que você quiser! - exclamou a Pequena Alma e começou a dançar e a cantar:
- Eu vou poder perdoar, eu vou poder perdoar!
Então a Pequena Alma viu que a Alma Amiga estava muito quieta.
- O que é? - perguntou a Pequena Alma.
- O que é que eu posso fazer por você? É um anjo por estar disposta a fazer isto por mim!
- Claro que esta Alma Amiga é um anjo! - Interrompeu Deus, - são todas! Lembre-se sempre: Não te enviei senão anjos.

E então a Pequena Alma quis mais do que nunca satisfazer o pedido da Alma Amiga.

- O que é que posso fazer por você? - perguntou novamente a Pequena Alma.
- No momento em que eu te atacar e atingir, - respondeu a Alma Amiga - no momento em que eu te fizer a pior coisa que possa imaginar, nesse preciso momento...
- Sim? - Interrompeu a Pequena Alma - Sim?
A Alma Amiga ficou ainda mais quieta.
- Lembre-se de Quem Realmente Sou.
- Oh, não vou me esquecer! - Gritou a Pequena Alma - Prometo! Lembrar-me-ei sempre de você tal como a vejo aqui e agora.
- Que bom, - disse a Alma Amiga – porque , sabe, eu vou estar fingindo tanto, que eu própria vou esquecer-me. E se você não se lembrar de mim tal como eu sou realmente, posso também não me lembrar durante muito tempo. E se eu me esquecer de Quem Sou, você pode esquecer de Quem É e ficaremos as duas perdidas.
Então, vamos precisar que venha outra alma para lembrar às duas Quem Somos.
- Não vamos, não! - Prometeu outra vez a Pequena Alma.
- Eu vou lembrar-me de você! E vou agradecer-la por esta dádiva - a oportunidade que me dá de me experimentar como Quem Eu Sou.

E assim o acordo foi feito. E a Pequena Alma avançou para uma nova vida, entusiasmada por ser a Luz, que era muito especial, e entusiasmada por ser aquela parte especial a que se chama Perdão.

E a Pequena Alma esperou ansiosamente pela oportunidade de se experimentar como Perdão e por agradecer a qualquer outra alma que o tornasse possível.
E, em todos os momentos dessa nova vida, sempre que uma nova alma aparecia em cena, quer essa nova alma trouxesse alegria ou tristeza - principalmente se trouxesse tristeza - a Pequena Alma pensava no que Deus lhe tinha dito.

Lembra-te sempre - Deus aqui tinha sorrido!

Não te enviei senão anjos”

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